Réplicas abalam Mandalay. Número de vítimas de terramoto cresce em Myanmar

por RTP
Mandalay, a segunda maior cidade de Myanmar, foi particularmente fustigada pelo abalo de magnitude 7.7 EPA

O mais recente balanço de vítimas do terramoto da passada sexta-feira em Myanmar ascende a 1.700 mortos e 3.400 feridos. Num país governado com mão de ferro por uma junta militar e a braços com uma “grave penúria” de material médico, como alertaram já as Nações Unidas, teme-se que o número final de mortes atinja as dez mil.

A população de Mandalay debateu-se este domingo com uma sequência de réplicas que veio agravar o ambiente de angústia. A segunda maior cidade de Myanmar foi particularmente fustigada pelo abalo de magnitude 7.7 na escala de Richter ocorrido na sexta-feira.

Pelas 7h30 locais (1h00 em Lisboa), foi sentida uma forte réplica naquela antiga capital real, seguida de uma outra às 14h00 (7h30 em Lisboa), de magnitude 5.1. Repetiram-se cenas de pânico. Na última atualização do balanço de vítimas, a junta no poder referiu pelo menos 1.700 mortes confirmadas, 3.400 feridos e três centenas de pessoas ainda dadas como desaparecidas. Mas a verdadeira dimensão desta catástrofe natural é de cálculo complexo, dado o isolamento de Myanmar e a natureza do regime militar, que mede forças com vários grupos armados em diferentes regiões do país.

Os grupos que combatem a junta decretaram, no sábado, um cessar-fogo parcial de duas semanas, adiantou o denominado Governo de Unidade Nacional, estrutura da oposição criada por antigos parlamentares do partido de Aung San Suu Kyi. Os generais, todavia, não cessaram a ofensiva aérea que tem estado em curso.Grande parte da população da antiga Birmânia, país em situação de conflito civil desde o golpe de Estado de 2021, vive ao longo da falha de Sagaing, onde as placas indiana e euroasiática se encontram.


O Serviço Geológico dos Estados Unidos admite que o número de mortes possa chegar a dez mil.

A Federação Internacional das organizações da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho lançou entretanto um apelo a um volume de ajuda internacional, com caráter de urgência, na ordem dos 100 milhões de dólares. O objetivo é prestar assistência, no imediato, a 100 mil pessoas.

A Organização Mundial da Saúde já enviou para Myanmar cerca de três toneladas de material médico destinado aos hospitais de Mandalay e Naypyidaw, que estão a prestar cuidados a milhares de feridos.China, União Europeia, Índia e Estados Unidos responderam também pela afirmativa aos apelos do número um da junta de Myanmar, Min Aung Hlaing.


A mais de um milhar de quilómetros de Mandalay, em Banguecoque, prosseguem os esforços para resgatar trabalhadores sob os escombros de um edifício de 30 andares do bairro de Chatuchak que se encontrava em construção. Foram retirados, desde sexta-feira, 12 corpos. Também na Tailândia subiu o número de mortes - são agora 18. Setenta e oito pessoas continuam desaparecidas.

A violência do terramoto causou fissuras e danificou a estrutura de vários edifícios da capital tailandesa, onde a qualidade da construção supera largamente o padrão de Myanmar. Há equipas no terreno com a missão de reparar 165 imóveis.

c/ AFP e Reuters
PUB